#213 Diário Econômico – 30/06/2023

Ouça o Diário Econômico, o podcast que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado do Brasil e do mundo, com a análise de economistas e apresentação de Marco Caruso. #Economia #DiárioEconômico
Bom dia, pessoal! Hoje é sexta, 30 de junho de 2023 e esse é o seu Diário Econômico.
Então é o último dia para entregar pelo menos metade da meta e resoluções do ano.
E aí, está no compasso certo?!
Eu já resolvi dobrar a meta e agora aqueles 5kg já viraram 10kg…
Enfim… falando de coisa boa e de meta, a equipe econômica do governo me parece ter feito seu maior acerto ontem ao deixar a meta de inflação em 3,0%.
No meio entendimento, isso abre espaço para novas reduções na inflação projetada pelo mercado, especialmente para uma janela maior de tempo.
Nas minhas contas, o IPCA que a gente vê projetado pela média dos analistas no Boletim Focus tinha implícito nele uma meta muito próxima de 3,5% – fruto da incerteza sobre o que o Conselho Monetário Nacional ia fazer ontem.
De fato, não é coincidência que as projeções de inflação começaram a piorar justamente a partir de meados de janeiro, quando o presidente Lula mencionou a possibilidade de subir a meta pela primeira vez.
Agora, consolidado que fica em 3,0%, essas estimativas tendem a cair na melhor das hipóteses esses 0,5% de diferença. De 3,5% em direção a 3%.
Acho difícil cair tudo isso, dado que a gente conhece explicitamente o entendimento do Presidente da República, mas uma melhora importante deve acontecer, sim.
O ministro Haddad foi muito feliz quando afirmou, ontem, que “aumentar a meta demonstraria leniência com a inflação”.
Com isso, a expectativa é que a reacoragem das expectativas nessa “antiga e nova” meta repercuta positivamente nos modelos do banco central e consolide o início de corte de juros em agosto.
A depender da melhora, até os diretores mais “cautelosos” do Copom poderiam embarcar nessa.
Nas nossas contas, 5 dos 8 atuais diretores poderiam ser favoráveis a isso; com a entrada do Galípolo essa conta iria para 6 a 3.
Aliás, o Roberto Campos Neto está entre esses 5/6 e as falas dele, ontem, na apresentação do Relatório de Inflação reforçaram esse entendimento.
Falando de mercados, o vencimento dos juros futuros que mais se beneficiou do CMN foi o janeiro/25, que pega em cheio todo o ciclo de cortes que o Copom poderia fazer.
Foram 12 pontos de melhora, que só não foram maiores porque o comportamento da curva americana foi bastante negativo, com os juros de 2 anos chegando a subir 15 pontos, um movimento mais de país emergente que desenvolvido.
Os dados americanos de atividade voltaram a surpreender positivamente, ontem, com um PIB crescendo 2% em termos anualizados no primeiro trimestre.
Aí eu te pergunto: essa é uma boa notícia porque mostra uma economia resiliente nos EUA, ou uma má notícia porque libera ou até obriga o Fed a continuar apertando os juros?
Tem pra todo gosto: o Dow Jones, que é mais ligado à economia doméstica americana e àqueles setores da velha economia, gostou e subiu 0,7%; o Nasdaq que é mais sensível a juros por ser da nova economia, caiu 0,2%.
Mas uma coisa é mais certa pra mim: o dólar tem que gostar dessa tal “exuberância” americana.
Vejam, por exemplo, que o Ibovespa como bom representante de uma bolsa de velhos setores da economia e também cíclico, foi muito bem, obrigado.
Valorizou 1,5% puxado por bancos e commodities, mas também por consumo por conta do CMN.
Já a nossa moeda, ficou no meio do caminho e fechou pelo 3º dia seguido perdendo pro dólar. Além da força da moeda americana com o bom crescimento econômico, tem a perna dos nossos juros caindo no pós-CMN.
Quem prestou atenção no que eu vinha falando aqui nos últimos dias sabe onde eu quero chegar. Me repetindo, então: já não é mais tão óbvio, pelo menos nesse curto prazo, apostar em 100% do “kit Brasil”.
Talvez não seja o melhor jeito de expressar algum otimismo com o Brasil comprando bolsa, aplicando juros e ainda vendendo dólar. Eu acho que a ponta do dólar é a que mais me incomoda, vamos ver.
Bom dia, bons negócios e sorte sempre!
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